Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Cristal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Era um vaso de cristal
que adornava a mesa
da minha sala de jantar...
Valioso e brilhante
cristal de Arques
ou duro diamante...
Caiu um dia
inesquecível dia
e foi todo estilhaços...
Com muita pena
ajoelhei serena
e apanhei com jeito
os pequenos pedaços...
Colei-os e armei o vaso de cristal...
Olho-o agora
e não o reconheço...
Não passa de vidro colado
apenas vidro espesso...
por meu mal!

Maria Helena Amaro
Outubro, 2014

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Matemática


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Sempre gostei de matemática
Pegava nos algarismos
arrumados nas equações
e somava
debitava
e tudo eu acertava
sem hesitações...
A matemática era uma cantiga
com harmonia
ritmo
e com alguma graça.
Dançava com frações
e usava os divisores
em expressões numéricas...
Matemática era o poço dos saberes
Eu enchia de riscos e rabiscos
o meu caderno castanho de deveres...
Hoje em idade sabática
ainda adoro a matemática.

Maria Helena Amaro
Braga, setembro, 2014

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Ofertório


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Onde vou eu de alma estagnada?
Onde vou sem rota nem destino?
Morreu o meu amor, morreram os amigos,
morreram as esperanças
as canções
as quimeras..
Onde vou eu atulhada de sonhos
reportada em torpor
a outras primaveras...
Morreu o meu amor
Enchi-me de penas...
Ficaram comigo
os rostos das amigas
as preces as cantigas
retratos e poemas.

Maria Helena Amaro
26/10/2014

sábado, 22 de julho de 2017

Verão, 1961


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Havia no ar quente encantamento
e luz alegre no teu riso brincalhão
Era doce o sol e era fresco o vento
e o mar batia em nós em turbilhão

Era um feitiço que me metia medo
porque nos tornava etéreos e felizes
O amor para mim ainda era um segredo
e as paixões chamavam-se deslizes

Abria os braços ao sol que me vencia
Ia nas ondas do mar que me cobria
e tudo era sonho, vida e paz

Olho o mar e nele te procuro
mas nada vejo, é longo, grande escuro
Levou-te a morte. Eu sei... não voltarás.

Maria Helena Amaro
14/06/2014

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Distância II


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Perco-me na distância
à procura de ti
e só te encontro
no dia malogrado
de malograda ânsia
quando te perdi...

Perco-me na distância
e no sonho que vem
penso de novo que te vou encontrar
aqui, ali, além...
Pura mentira!
Só se perde uma vez
aquilo que se ama...
Não há retorno
há apenas saudade
feita da bruma e drama,
na alma que delira.

Maria Helena Amaro
Esposende, 14 de agosto de 2014. 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Agosto


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Olho o mar em busca do teu corpo
a saltitar numa onda altaneira
Suponho então que estou à tua beira...
Que dor intensa. Recordo que estás morto!

Olho o mar e escuto o teu grito,
o sorriso, o gesto, o chamamento...
Tudo não passa de um grande sofrimento
pois a visão não passará de um mito

Estendo as mãos nas ondas maneirinhas
e as tuas mãos vêm ao encontro das minhas
mas o mar embate em carga sobre nós

Descem no mar as gaivotas velhinhas
voltejam lentas e tu as acarinhas
chamam por ti, que eu já não tenho voz

Maria Helena Amaro
Agosto, 2014


terça-feira, 18 de julho de 2017

Dia de parabéns (para o neto Francisco)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Com os olhinhos de mel
e a gostar de pão-de-ló...
É o Francisco Miguel
o «príncipe» da sua avó!

Já tem «príncipe»  e «princesa»
Também já tem «cavaleiro»
É toda uma realeza
dentro do seu galinheiro.

E p'ra vida viver em beleza
Tem amor o tempo inteiro!

Maria Helena Amaro
(Dedicado ao neto no dia do seu aniversário)
23/02/2014