Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Vida


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A vida, para mim,
era um balão que pairava, pairava...
Quando ele subia
eu sorria... sorria...
quando ele pulava
eu dançava... dançava...
quando ele descia
eu puxava... puxava...
quando ele caía
eu fugia... fugia...
corria... corria...
à procura do nada!

Ficava-me preso
num dos dedos da mão
o fio do balão
que supunha um tesouro...
O balão não voltava,
mas o fio se tornava,
num aro cor de ouro!

Maria Helena Amaro
Junho 2014

terça-feira, 20 de junho de 2017

Poemas velhos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Meus poemas... espalhados no espaço,
foragidos do baú da minha vida,
onde escondo tanta coisa perdida,
tanta coisa que penso, sonho, faço.

Poemas velhos causam-me embaraço,
são estrofes sem cor e sem medida,
gritos loucos de alma combalida,
pendurados na curva do meu braço.

Pego neles, rasgo, risco, traço,
faço deles um enorme maço
e vou deitá-lo ao mar, numa corrida.

O mar, a rir, procura o meu abraço,
lança-o de volta para o meu regaço
e eu recebo-os e choro enternecida.

Maria Helena Amaro
22 de junho de 2014.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Confissão


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Sempre existiu
entre mim e a folha de papel
um grande conflito...
Uma folha lisa de papel
à espera de um poema de sol
é o meu grito...

Sempre existiu
em mim como escritora
o medo de falhar
de maldizer...

A folha de papel
tão branca e tão despida
exige com secura
que eu possa escrever
o mais belo de todos os poemas da vida.

Luto
resisto
e surge o conflito...
É que eu já rasgo tudo,
tudo que tenho escrito.

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2014.

sábado, 17 de junho de 2017

Cerejas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Eram manhãs sequiosas de verão
E as cerejas eram altas e velhas
Nós puxávamos as galhas para o chão
e pendurávamos as cerejas nas orelhas

Cada gaipo de cerejas era um milhão!
Íamos a cantar por caminhos e quelhas...
Ninguém ligava ao nosso cantochão
Alguns olhavam erguendo as sobrancelhas...

Os rapazes, aqueles mais aselhas,
não trepavam às velhas cerejeiras
Mas ficavam olhando as nossas saias...

Voavam sobre nós mosquitos e abelhas.
Vinham os gritos das nossas companheiras!
Sai daí, desce já, olha não caias!

Maria Helena Amaro
Abril, 2014 


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Levem-me a ver o mar



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Levem-me a ver o mar…
Antes de eu morrer,
levem-me a ver o mar,
das ondas ondulantes,
das naus e caravelas,
dos bravos navegantes,
a dominar procelas…
Levem-me a ver o mar,
pejado de traineiras,
de gritos de gaivotas,
de canto de sereias,
das marés espumosas,
batendo nos rochedos,
dos naufrágios medonhos
de lendas e de medos,
de desfazer de sonhos,
de intrigas e enredos…
Levem-me a ver o mar
de areias escaldantes
onde possa lançar
meus choros lancinantes…


Maria Helena Amaro
Fevereiro, 2014





sexta-feira, 26 de maio de 2017

Menina de caracóis


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Menina dos caracóis
de cor de rosa vestida,
seus cabelos são 2 sóis,
que tenho na minha vida!

Menina, doce menina,
que gosta de dar ao pé...
Ela vai ser bailarina
porque Princesa já é...

Ela é fada feliz...
Não gosta de brincar só.
É a linda Beatriz!
O amor da sua avó.

Maria Helena Amaro
14/05/2014

domingo, 21 de maio de 2017

Ser poetisa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não me chamem poetisa que eu não gosto.
Ser poetisa é um estado bem medonho.
Dos pesadelos posso fazer um sonho.
Nasço na aurora e morros ao sol-posto.

Dou em versos aos outros o que é meu.
Ando inteira assim de mão em mão.
Dou em versos a alma e o coração
e a poesia que anda a bailar no céu.

Maria Helena Amaro
Outubro 2014