Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Saudade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Distante, ausente, morto, embora
de quem se amou nunca ninguém se esquece.
O rosto da pessoa permanece
pelos dias, sem conta, vida fora.

Como se vivesse, em nós, em cada hora
e nos pedisse cada dia alguma prece,
vem a saudade que não esmorece
e entra em nós como dona e senhora.

A saudade é o amor que fica,
de tudo que vivemos com ventura,
na idade que tudo ri e tece…

A saudade é amor que se dedica,
a quem nos deu abraços de ternura
e, embora morto, o nosso amor merece. 

Maria Helena Amaro
26/01/2015

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Casamento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Coração de filigrana
não deve ser dividido.
É tesouro de quem ama
da esposa e do marido.

Maria Helena Amaro
Março, 2015. 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Ontem


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Foi ontem
que menina se fez entre meninos
e com eles aprendeu
a receber o sol todos os dias.

O tempo veloz traçou estradas
e a senhora - menina
recorda fantasias...

Somar desilusões...,
subtrair certezas...,
multiplicar sonhos...,
dividir alegrias...

Dizer «adeus» não é sempre partir
nem parar nem morrer...
O tempo é velho,
se a alma quiser envelhecer.
A semente lavrada
na alma dos alunos
irá florescer...

Bendita pois a hora,
feliz, abençoada,
em que uma professora
chega ao fim da jornada.

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2015.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Árvore de Natal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Neste Natal vou à tua procura
nas ruas do sonho, ao teu encontro...
O sonho vai-se... e há só desencontro...
Torna-se o dia, na noite mais escura.

Neste Natal queria a tua ternura,
o teu abraço sereno sempre pronto,
o teu dizer em paz e sem confronto,
para sentir-me feliz, leve, segura.

Sou uma árvore de Natal sem frescura;
sem luzes, sem velinhas, sem alvura,
neste mundo carcomido e bronco.

Sou uma árvore de Natal feita secura,
morro de pé a suspirar altura...
Tu eras a raiz; eras meu tronco.

Maria Helena Amaro
14 de dezembro de 2014.


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Chuva de outono


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Abro as janelas...
Há um punhado de folhas amarelas
pousadas no jardim...
No céu de outono,
sem alegria ou dono,
há clareiras de nuvens tagarelas
a sorrirem para mim...
As nuvens falam
e eu percebo as palavras delas...
- e são tão engraçadas! -
quando eu me distraio elas calam
e mandam sem recatos
umas fortes chuvadas!
Inundam os quintais,
as ruas, as estradas...
A minha rua é um grande oceano
onde molho os sapatos!

Maria Helena Amaro
17/11/2014

domingo, 14 de janeiro de 2018

Parabéns, meu amor!


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Parabéns, meu amor, sem bolo e velas.
Os anos não se contam ai nos céus...
As almas são joias, puras, belas
junto de anjos a cantar a Deus.

Este dia é o teu dia... o nosso dia...
Saudades... recordações... afetos...
A nossa prenda é uma Eucaristia
e os sorrisos ternos dos teus netos.

Tu não morreste, não, eu acredito.
Repousas em paz, nesse lugar bendito
onde não há doença, sofrimento, dor...

A morte é lenda, fantasia, mito,
é a passagem da terra ao infinito...
Viagem eterna ao milagroso amor.

Maria Helena Amaro
16/11/2014

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Vinte anos


(Fotografia de António Sequeira)

Eu tinha vinte anos... Muitos sonhos
ilusões tão puras, tão serenas,
a alma cheia de rimas, de poemas,
ideais nobres, luminosos, risonhos.

A vida era a montanha florida
que teria de escalar pé ante pé
com coragem, fortaleza e fé
pois no cimo era a terra prometida.

A vida era avenida ornamentada
era oceano que não tinha fim
era seara a abrir toda em flor...

Eu tinha vinte anos... Que loucura!
Acreditar que a alegria sempre dura...
que nada morre... saúde, paz, amor!

Maria Helena Amaro
16 de novembro de 2014.