Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 23 de abril de 2017

Estação


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Reparti todos os sonhos meus
em nome do amor
da fé
de Deus...
Colhi só ingratidão e maldizer...
Agora
nestas noites negras, cruas, frias,
ao olhar as minhas mãos vazias,
nada me prende,
ao gosto de viver...

São velhos
são ateus
são cantilenas
estes poemas meus....
Mas eu,
ao contar os meus dias,
ensaio um sorriso
e adivinho os céus!
Quero alegrias!   

Maria Helena Amaro
Fevereiro, 2014

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Lenda do Mar


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Encontrei-me numa praia abandonada,
a ver o mar de águas ondulantes,
sem anseios, desejos, dores, amantes,
à espera de uma certa madrugada.

Depois da noite surgia a madrugada
e o sol quente em raios rutilantes,
mas o mar cantava como dantes,
e, eu cantava com ele na balada.

Dias e noites nesta canção bailada,
neste surgir de rósea madrugada,
neste escutar o mar forte e andante.

Nesta história de lenda inacabada,
neste pedir ao céu um tudo, um nada,
fiz-me poeta, tornei-me caminhante.

Maria Helena Amaro
26/02/2014 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Saudades

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tantas saudades das campinas verdes,
das oliveiras pejadas de azeitonas,
das trepadeiras a subir nas paredes,
das sestas quentes, serenas,mandrionas.

Do velho Ceira à sombra dos salgueiros,
e dos rebanhos a pastar docemente.
Das raparigas com seus cantares brejeiros,
entre as searas no longo maio ardente.

Tantas saudades das águas das ribeiras,
dos montes, das serras altaneiras,
do cheiro a mel e a castanha doce.

Das minhas tias com rosto de luar,
junto à lareira, à noite, a crochetar...
Estava ali, a rir, toda a Foz de Arouce.

Maria Helena Amaro
11 de janeiro de 2014.

domingo, 16 de abril de 2017

Ribeira


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vou perguntar à ribeira de Foz de Arouce
para onde corre tão lenta
tão quebradiça e doce
perdida e sonolenta...
- Onde vais tu a cantar ao luar
como se ainda pudesses alcançar
o Ceira longo
ou o Mondego verde...
Onde vais tu perdida
perdida e dançarina
entre os canaviais?
Onde vais tu ribeira?
- Não te alongues demais
que eu me perco em ti
que eu quero ir contigo
e não regressar mais...
Foz de Arouce... Foz de Arouce
ribeira pequenina
brinquedo de meus pais.

Maria Helena Amaro
2014

sábado, 25 de março de 2017

Noite de Natal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Caminho para Deus de mãos erguidas,
olhos fechados e sorriso lento
Vou embrulhada em véus de sofrimento
Tristes memórias de horas mal vividas

Tristes memórias em mim sempre retidas
Tão dolorosas através do tempo
estão comigo em voz de desalento
Estão comigo, na alma, recolhidas

Caminho para Deus sem despedidas.
Não quero ouvir as vozes condoídas
que não me dão paz, amor, alento...

São estátuas de lodo construídas.
Quero ir a Deus com orações sentidas
Ardente como o Sol, ligeira como o vento.

Maria Helena Amaro
Natal, 2013.
  

sexta-feira, 24 de março de 2017

Poema para o vento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Hoje
o meu poema
é para o vento que passa
que me foge...
Que me foge há tantos anos
e que passa por mim e não me leva...
Vento
leviano e louco
leva-me contigo
a outras praias certas
sejam de sol
de mar ou de cometas.
Leva-me contigo
em voo, em nado, em furacão,
mas leva-me contigo
vento amigo
antigo
toleirão...
Saudades de ti
na minha mão!

Maria Helena Amaro
Junho, 2014.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Saudades


(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Saudades…
Saudade da frescura da manhã,
do cheiro a alecrim,
a mel e da castanha,
a lagar, a jeropiga,
a trevo e hortelã…
Do comboio da linha da Lousã
a dançar nos carris
em busca de Coimbra ou de Serpins…
Dos corvos a gritar
por cima de olivais…
Das cotovias, mochos e pardais
a namorar as azeitonas
caídas no terraço…
Do passeio de carro matinal,
até à vila da Lousã,
do pingo quente do café da esquina,
café da D. Lúcia
que nos servia gentilmente,
com o rosto fresco de menina…
Saudades…
Saudades da festa caloreira
em que banhávamos,
os corpos encharcados de suor,
nas águas cristalinas,
de godos cinzentos,
do velho Rio Ceira…
Saudades das noites estreladas,
do canto das cigarras,
que vinham até mim,
das luzes distantes do Trevim…
Saudades da festa da Pégada,
da chanfana, arroz doce, tigelada…
Dos espantalhos erguidos nos trigais…
Saudades…
Saudade de ti,
de mim,
de tudo
que foi a nossa vida
em aventuras tais…
E tal como o comboio da Lousã
Não vão regressar mais!?


Maria Helena Amaro
Novembro 2014