Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 21 de maio de 2017

Ser poetisa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não me chamem poetisa que eu não gosto.
Ser poetisa é um estado bem medonho.
Dos pesadelos posso fazer um sonho.
Nasço na aurora e morros ao sol-posto.

Dou em versos aos outros o que é meu.
Ando inteira assim de mão em mão.
Dou em versos a alma e o coração
e a poesia que anda a bailar no céu.

Maria Helena Amaro
Outubro 2014

terça-feira, 16 de maio de 2017

Recordação


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

O meu sorriso era o teu sorriso...
O meu perfume era o teu perfume...
Meu coração perdia todo o siso
porque me olhavas quente como o lume.

A tua luz era a minha luz
como tu fosses pavio de uma vela.
Eu ia atrás de ti... E ai Jesus!
Tu eras o mar alto, eu caravela.

O nosso amor cresceu sem desengano,
Num terreno, nem herege, nem profano.
Ao recordá-lo minha alma estremece...

Levou-te Deus. Eu ouso perguntar:
Se era assim, porque mo quis roubar?
É uma mágoa que vive, permanece...

Maria Helena Amaro
Maio, 2014.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Realidade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A realidade
é esta,
o resto, é sonho...
O sonho não desfaz o pesadelo
nem abate a saudade...
A realidade
é a verdade certa
negra e crua
de ter caminhado
por caminhos, ao lado
de ninguém...
Concretamente só
à procura de uma estrela
que me pareceu real...
Se estive perto dela não senti...
A realidade
é esta.
O resto, é sonho...
Um sonho maravilhoso
que vivi...

Maria Helena Amaro
24/06/2014

domingo, 23 de abril de 2017

Estação


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Reparti todos os sonhos meus
em nome do amor
da fé
de Deus...
Colhi só ingratidão e maldizer...
Agora
nestas noites negras, cruas, frias,
ao olhar as minhas mãos vazias,
nada me prende,
ao gosto de viver...

São velhos
são ateus
são cantilenas
estes poemas meus....
Mas eu,
ao contar os meus dias,
ensaio um sorriso
e adivinho os céus!
Quero alegrias!   

Maria Helena Amaro
Fevereiro, 2014

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Lenda do Mar


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Encontrei-me numa praia abandonada,
a ver o mar de águas ondulantes,
sem anseios, desejos, dores, amantes,
à espera de uma certa madrugada.

Depois da noite surgia a madrugada
e o sol quente em raios rutilantes,
mas o mar cantava como dantes,
e, eu cantava com ele na balada.

Dias e noites nesta canção bailada,
neste surgir de rósea madrugada,
neste escutar o mar forte e andante.

Nesta história de lenda inacabada,
neste pedir ao céu um tudo, um nada,
fiz-me poeta, tornei-me caminhante.

Maria Helena Amaro
26/02/2014 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Saudades

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tantas saudades das campinas verdes,
das oliveiras pejadas de azeitonas,
das trepadeiras a subir nas paredes,
das sestas quentes, serenas,mandrionas.

Do velho Ceira à sombra dos salgueiros,
e dos rebanhos a pastar docemente.
Das raparigas com seus cantares brejeiros,
entre as searas no longo maio ardente.

Tantas saudades das águas das ribeiras,
dos montes, das serras altaneiras,
do cheiro a mel e a castanha doce.

Das minhas tias com rosto de luar,
junto à lareira, à noite, a crochetar...
Estava ali, a rir, toda a Foz de Arouce.

Maria Helena Amaro
11 de janeiro de 2014.

domingo, 16 de abril de 2017

Ribeira


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vou perguntar à ribeira de Foz de Arouce
para onde corre tão lenta
tão quebradiça e doce
perdida e sonolenta...
- Onde vais tu a cantar ao luar
como se ainda pudesses alcançar
o Ceira longo
ou o Mondego verde...
Onde vais tu perdida
perdida e dançarina
entre os canaviais?
Onde vais tu ribeira?
- Não te alongues demais
que eu me perco em ti
que eu quero ir contigo
e não regressar mais...
Foz de Arouce... Foz de Arouce
ribeira pequenina
brinquedo de meus pais.

Maria Helena Amaro
2014