Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Pausa outonal


(Fotografia de António Sequeira)

Sinto da vida o mosto entardecer...
Recordações... ideias... sentimentos.
Abre-se a alma nestes doces momentos...
Busco a paz. Nela me vou prender.

«Tudo passa... tudo vai...» ouço dizer,
num tom amargo de ressentimento,
quem tudo apaga é o rude tempo,
nada na vida nós podemos reter...

O bem fica connosco... é o bem querer...
O mal amargo é preciso esquecer
mandá-lo embora nas asas do vento.

Ficar a sós não é envelhecer,
é recordar em paz todo o viver,
amor e dor... sei lá, sem um lamento!

Maria Helena Amaro
Outubro, 2014

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Conselhos


(Fotografia de António Sequeira)

Rasga a memória. Sê forte. Não hesites.
Passado velho, é velho, já esquece.
O presente é novo e não merece
que tu recordes horas velhas e tristes.

Rasga a memória. Sê dura. Não medites.
O que passou, passou, não permanece,
na velha teia que a maldade tece,
não sofras, não te exaltes, não te irrites.

Rasga a memória. Sê calma, se insistes 
a recordar todas as horas tristes,
a tua alma cristaliza, envelhece...

Rasga a memória. Sê crente. Esses convites
que vêm ter contigo são despistes
à paz, à tua fé, à tua prece.

Maria Helena Amaro
Outubro de 2014.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Retrato


(Fotografia de António Sequeira)



No silêncio frio desta sala,
na solidão que esmorece o dia,
é o teu rosto que me traz alegria,
é a tua voz tão doce que me embala.

A saudade escuta a tua fala,
como se estivesses na nossa moradia,
fico serena em doce nostalgia
e a minha alma suspira, reza, cala.

Este silêncio que nos envolve e guia,
é quase unção, é uma terapia,
para a agonia que me ocupa e rala…

No silêncio frio desta sala,
é a tua voz tão doce que me embala.
É o teu rosto que me traz alegria!

Maria Helena Amaro
16 de outubro de 2014

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Vida


(Fotografia de António Sequeira)

A vida é breve como a água corrente,
como o mar ébrio no seu marujar
sempre inconstante no receber e dar
numa permuta sempre permanente.

Na vida que vivi intensamente
O bem e o mal sempre quis aceitar
O meu bem dividi por muita gente
O mal... tento esquecer e perdoar

Vivi do amor a face mais ardente
Dei aos meus filhos um regaço quente
e dei aos sonhos poesia e luar...

No trabalho quis ser eficiente
Dou à saudade o meu lado carente
Espero em Deus... Aprendi a rezar. 

Maria Helena Amaro
Outono, 2014

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Espelho meu


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Olho o espelho... e não me reconheço,
em tantas coisas me tornei diferente,
tudo parece etéreo, transparente...
A vida corre e em tudo tropeço.

O espelho dá-me a vida que mereço...
E tudo em roda, me parece ausente...
Tudo se vai... se esfumeia, de repente...
Nada sonho, nada quero, nada peço.

A primavera já não tem regresso...
O verão se foi tão frio e tão disperso
e o outono vem pardo e indolente...

Olho o espelho... perdi o endereço,
de tantas coisas que tiveram começo
e se findaram no inverno presente.

Maria Helena Amaro
Outubro, 2014



segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Cruz


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Numa manhã de certa primavera
pedi a Deus um caminho de luz.
Deus escutou-me. Quis saber quem eu era
e colocou nos meus ombros uma cruz.

Suporto a cruz com a força de meus braços,
na escapada das escarpas do tempo!
A fé em Deus ilumina os meus passos
e alivia ou cura o sofrimento.

A cruz é isto: viver e aceitar.
Tudo, de tudo que Deus nos pode dar,
de bom, de mau, de alegria ou dor.

Connosco vai Jesus de braço dado,
connosco dia e noite, em todo o lado
em promessa, em perdão e em amor!

Maria Helena Amaro
Setembro, 2014

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Voo desfeito


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Puseste em mim essas asas de condor,
e voámos com elas céu inteiro.
Eras amor, o meu amor primeiro,
amor tão puro, um consagrado amor.

«Não me tirem as asas! Por favor!»
Rogava em prece ao anjo mensageiro,
quero voar no céu em voo passageiro,
que alguém me pôs as asas de condor.

Voar em liberdade, bem maior!
Beijar na nuvem a força do sol por
e vadiar sem levar timoneiro...

Perdi as asas... O voo foi de dor,
morreu um dia o meu rei e senhor,
fiquei no chão... Que voo traiçoeiro.

Maria Helena Amaro
Agosto de 2014

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O que me falta?


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

O que me falta, amor, são os teus beijos,
o teu olhar de paz e de harmonia.
O teu sorriso ao desejar bom dia.
as conversas, os sonhos, os desejos.

O que me falta são as nossas caminhadas
junto do mar nas manhãs de agosto.
O vento fresco a beijar o meu rosto
os pés metidos nas ondas rendilhadas.

O que me falta é a tua companhia.
O abraço de ternura que eu sentia,
nos momentos cruéis de sofrimento.

O que me falta? É acreditar
que a minha alma um dia há-de voar
ao encontro da tua, aí, no firmamento.

Maria Helena Amaro
Esposende, julho (12/07/2014) 


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Natal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ando à procura de um Natal diferente
Um Natal do tempo do passado
cheio de cheiros, de sons e da gente
que se perdeu e nunca foi achado.

Meus pais levaram com eles os Natais.
Eram Natais sem luxo e sem fartura.
Eram Natais que não esqueço mais,
pois eram feitos de vida e de ternura...

O Deus menino punha no sapatinho
um sabonete, um rebuçadinho
Uma mensagem que trazia luz...

A minha mãe era uma Mãe Maria.
São José era o meu pai que só sorria.
Era um Presépio do Menino Jesus...

Maria Helena Amaro
Natal, 2015

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Retrato


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Olho a Bia... e é a ti que vejo...
O teu rosto maroto e tão moreno,
a luz serena do teu olhar sereno,
o teu sorriso, um carinhoso beijo.

Perco-me toda no seu tagarelar
e vou com ela em nuvens de infinito.
Tal como um sonho em que eu medito,
leva-me ao sol, ao vento, à beira-mar.

Fico com ela, a rir a tarde inteira,
mas, és tu que estás à minha beira
e com ela espalhas os brinquedos.

Na solidão, é a minha companheira
Ambas sonhamos à nossa maneira
E tu, connosco, sem tristeza, sem medos.

Maria Helena Amaro
12 de Maio de 2014

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Invasão


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Um punhado de areia na minha mão,
um nada de espuma, de lama, nada mais,
um grito de mulher ecoante no cais,
uma gaivota cinza a saltitar no chão.

Um barco a baloiçar no mar em turbilhão
O rio a esvair-se em suspiro e ais
que o vento chama a chuva, a dor, os vendavais,
que o vento é tempestade raios,  furacão.

Cenário como este, eu não verei jamais,
o mar tornado louco, em ondas colossais,
destrói o casario, a duna, o paredão.

O barco se desfaz em danças infernais
Os voos das gaivotas são gritos de chacais
O mar é uma bomba, a terra é um balão.

Maria Helena Amaro
Julho, 2014.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Nossa Senhora


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Maria, Mãe de Deus, Nossa Senhora,
regaço terno de rosas perfumadas,
guia seguro em escuras estradas,
farol, estrela, aqui, a toda a hora.

Maria Mãe, Mãe de Deus, Nossa Senhora
de Nazaré e de Jerusalém,
minha irmã, minha amiga, minha mãe,
dos pobres e mendigos salvadora.

Sou pobre, sou mendiga, pecadora,
vos suplico, ó Mãe, aqui, agora,
um pouco de ternura, proteção.

Rainha e Mãe dos homens protetora
Vós sois minha Mãe, minha Senhora
Guardai-me, ó Mãe, no vosso coração.

Maria Helena Amaro
23/06/2014 

domingo, 10 de dezembro de 2017

Lembranças


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Quero guardar no tempo o sonho que finou
O caminho de luz por onde caminhei
O braçado de rosas que a vida me deu
Os momentos ditosos que na alma gravei.

Do meu velho baú escondido no peito,
eu vou tirando lembranças lés a lés.
São as belas lembranças de um amor perfeito,
que desdobro no tempo e me caem aos pés.

Não as quero caídas, não as quero pisadas,
quero mantê-las no baú, bem guardadas,
longe de tempestades, longe do vento norte.

Ajeito-as nas mãos de lágrimas molhadas
quero tê-las de perto nas noites estreladas
para que possa ver-te... no céu, além da morte.

Maria Helena Anaro
14/06/2014

sábado, 9 de dezembro de 2017

A meu pai


(Fotografia de António Sequeira)

Meu pai, meu livro de lembranças,
que escrevi ao longo da minha vida.
É para mim o obra mais sentida,
fala de amor, de paz e de crianças.

Meu pai, meu livro de poemas,
de gravuras de sonho e de ternura,
sem cruezas, sem rios de amargura.
Um molho enorme de belas açucenas.

Meu pai, minha serenata, de cigarra,
de uma cantiga tangida de guitarra,
companheira de sossego e de calma.

Meu pai sereno, vestido de humildade,
tão sereno em leis, em lealdade,
era o meu cais no mar da minha alma!

Maria Helena Amaro
Junho, 2014