Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

50.000 Visitas

50.000 VISITAS

Hoje, dia 31 de dezembro de 2014, o blogue Maria Mãe festeja mais um marco histórico alcançado. 
50.000 visitas registadas neste espaço virtual nosso e vosso...
Obrigado por passearem neste nosso jardim artístico.
Voltem sempre!
Um abraço literário.


António Sequeira (editor) e Maria Helena Amaro (criadora).

Cartão de Natal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Menino Jesus de todas as crianças
que vos pedem presentes de luxo e da riqueza,
que são para Vós os bens da natureza.
Deixai que sonhem, que cultivem esperanças.

Vou caminhar nas ruas da cidade
e ver luzes, alegrias, beleza...
Onde se escondeu a dor da tristeza?
O desemprego e a mendicidade?

Verdade triste é a crua certeza
que o mundo corre com louca destreza
para um estado de insana nulidade.

Neste Natal, Jesus escuta a minha reza
mil abraços, mil perdões, uma surpresa
e o mundo terá paz e liberdade!


Maria Helena Amaro
Dezembro, 2014

   

Feliz Ano de 2015


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Da nossa janela virtual, aberta para o mundo, desejamos a todos um Feliz Ano Novo. Esperamos que 2015 seja pleno de saúde, paz, prosperidade e ofereça a todos os nossos queridos leitores muitos sucessos pessoais e profissionais.
Que na caminhada da nossa vida este novo trilho nos encaminhe para a felicidade, o amor e o Bem. 
Boas aventuras literárias!

António Sequeira (editor) & Maria Helena Amaro (criadora literária).

domingo, 28 de dezembro de 2014

Fantasia


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu queria mergulhar nos teus olhos
meus olhos torneados de chorar
que os teus fossem um lago, um verde mar
e que os meus fossem estrelas do céu...

E num sonho todo feito de quimera
eu sentisse o afago dum carinho
como estrela, como guia no caminho
que eu palmilho estivesse à minha espera...

Mas teus olhos são um deserto ardente
onde meus olhos se perdem loucamente
em busca dum «oásis» de ternura...

Que importa isso, se eu constantemente
quando os olho sorrindo docemente
julgo viver num mundo de ventura?

Maria Helena Amaro
17/02/1955

sábado, 27 de dezembro de 2014

Ambição


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu quis o mundo prostrado a meus pés
e ser dele a rainha presuntiva
Eu que da miséria era cativa
visando a rua da mágoa lés-a-lés...

Meus pés sangraram na rude subida
até ao altar onde o  mundo morava
Pobre de mim! Criança, acreditava
que o Amor era a rota da vida! ...

Mas veio a noite, o raio, a tempestade
e eu na íngreme subida vacilei 
quando no alto o abismo atingi...

Arrastada quis recuar,  já tarde
mas na subida que escalar tentei
escorreguei e p´ra sempre cai!...


Maria Helena Amaro
Esposende, 11/04/1955


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz Natal


(Fotografia de António Sequeira - Presépio de Maria Helena Amaro)


Este espaço literário digital deseja a todos os amigos, leitores e visitantes Um Santo e Feliz Natal.

Obrigado pela vossa companhia e carinho.
Boas leituras! 
Um abraço cibernético!

  

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

As minhas mãos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

As minhas mãos pálidas transparentes
como águas dum lago sem verdura
parecem mãos de pessoa doente
ou de fantasmas sem vida, sem pintura!

As minhas mãos pequeninas persistentes,
buscam no mundo afagos de ternura.
Mãos caprichosas, fugidias, ardentes
morrem de sede, de sede de ventura!

As minhas mãos pálidas, maceradas,
dedos esguios como sombras aladas
onde o sonho afaga um sorriso

Buscam no ar em revoada louca
a ardência da tua meiga boca
como eu busco na vida um Paraíso! 

Maria Helena Amaro
15/04/1955

domingo, 21 de dezembro de 2014

Natal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Pai Natal! Pai Natal! Gritam crianças
pelas ruas luminosas da cidade,
pedem presentes, cheios de ansiedade,
olhos brilhantes de gostosas esperanças.

Olho o Presépio exposto numa montra,
tão luminoso como as estrelas dos céus.
Ando à procura de um presente para Deus
e uma mensagem minha alma encontra.

- Usam-se perante Deus religiões:
mil braços, mil beijos, mil perdões,
Num conceito de amor universal.

Façam a paz real entre as nações,
nem misérias, nem guerras nem pressões;
e Jesus sorria: “Feliz Natal!»



Maria Helena Amaro

Braga, Natal 2014.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Presépio


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Faço um Presépio de Luz na minha casa:
Jesus, Maria, José e pouco mais!
Faltam-me os rostos doces dos meus pais.
A um anjinho cortaram-lhe uma asa.


Não ponho musgo, nem burro, nem vaquinha.
Tem um alpendre velho, carcomido:
Talvez, assim, Jesus tenha nascido…
Talvez fosse numa gruta pobrezinha.


Faço um Presépio… No teto uma estrela,
raios de luz, todos à volta dela,
sem flores, sem velas, pinheirinhos…


Olho de longe e gosto do que fiz…

Com tão pouco Jesus está feliz.
À sua volta apenas tem anjinhos.



Maria Helena Amaro
Braga, Natal 2013

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

... E o pó é nada!


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Lábios sorrindo em doce comunhão
Rostos erguidos voltados para a vida
Peitos ardendo na chama decidida
Bocas unidas em rubra combustão!

Mãos agarradas em cruel crispação
Promessas loucas e ilusões perdidas
Vultos envoltos em dores muito garridas
como em lavas ardentes de vulcão!

Olho... Sorrio... Observo indiferente
Consumo tudo num ciciar baixinho
com minha alma triste, amargurada...

Quadro obsceno de fundo quase ardente...
- Homem que crês, retoma o teu caminho
olha que tudo é pó... e o pó é nada!


Maria Helena Amaro
13/05/1955


domingo, 14 de dezembro de 2014

... ... ... (sem título)



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Deus fez meus olhos de um pedaço dos céus
e meus cabelos da noite muito escura
pôs no meu rosto de neve, a extrema alvura
e em minhas mãos transparências de véus! ...

E Ele  que era um Divino, um Deus
Supremo artista de sua escultura
quis retocar-me com sombras de amargura
e violetas tornou os olhos meus...

Depois olhou-me e sorriu satisfeito
pôs um cravo de mágoas no meu peito
como um sinal de eterno sofrer...

Com roxos lírios circundou-me os olhos
colocou no meu caminho só abrolhos
e uma cruz nos meus ombros de mulher!

Maria Helena Amaro
11/04/1955 


sábado, 13 de dezembro de 2014

A minha Fé


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Estendi as mãos, a tremer, a tremer,
buscando no espaço uma ilusão...
Que encontrei?
Nada do que sonhei!
Só pó, só cinza, só loucura
em negro turbilhão
e na estrela de extrema alvura
a brilhar, a tremer,
a sorrir-me, terna, docemente! ...

E meus pés vacilaram na subida
até à estrela que brilhava
nas alturas da vida!
Chamei por ela,
não viera, não olhava...
Mas eu subi,
sem medo, sem temor.
E ao chegar à luz daquela estrela
encontrei nela
A minha Fé, Senhor! ...

Maria Helena Amaro
17/03/1955 


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ideal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Conhecem-no? Talvez. Mas quem é? Não sei...
Donde veio, onde mora, onde está?
Quem é ele? Como é ele? Sei lá...
Se eu nunca o vi! Se eu nunca o encontrei!

Mas conhece-o. Vejo-o em todo o lado
Sei que tem reflectido nos olhos
a luz da escuridão, uma noite de abrolhos
e na voz um hino perfumado... 

Vem nos lábios as ardências do estio
vem no rosto tinhado e trigueiro
as sombras tristes e os raios de calor...

Mas quem é ele? Eu conheco-o, eu vi-o
talvez num sonho fugaz e passageiro.
Sei que é um Deus na vida; um homem no Amor!

Maria Helena Amaro
9/10/1954

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ele


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Encontrei-o. O seu olhar parado
pousou em mim, desprendido, indiferente.
O rosto pálido, febril, macerado
fogueira morta sem uma chama ardente...

Tinha amargura no olhar refletida
naquele olhar que parecia não ver
último sopro que lhe largava a vida
e ele passou a tossir, a gemer...

Mais parecia uma sombra vagueando
por entre as mais mergulhada na bruma
pobre sombra vagarosa, passando!

Não mais o vi. Talvez sua agonia
não seja mais que cinza, pó, espuma
sob um túmulo na terra negra e fria.

Maria Helena Amaro
26/09/1954   

domingo, 7 de dezembro de 2014

Neblina


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


A neblina
sobe, sobe de mansinho...
Sobe a colina,
há nuvens de cor do arminho...
Ó quantos gostos, quanta frescura
pairam no ar, a grande altura!...
Na natureza
quem morrerá?
Quanta beleza, quanta beleza
Jesus nos dá!...
E a alma vai... vai a cair...
Ó meu Jesus! Se pudesse ir,
se eu pudesse ir, por esse mundo,
como a neblina no azul profundo...
Estas gotinhas cheias de cor
da neblina
cantam ternura, dançam amor
sobre a colina.

Se eu fosse neblina,
em gotas de rosário,
ia cair na colina
na colina do calvário!...

E em gotas de frescor
da fresca neblina
ia metigar a dor
que Jesus por nosso Amor
sofreu, chorou na colina
Na colina do Calvário!

Ai, se eu fosse a neblina
em gotinhas de rosário
iria molhar o chão
onde Jesus se arrastou
limpar o sangue cristão
que a poeira secou...

Ai, se eu fosse neblina!
Que paira sobre a colina!
Mas eu sou tão pequenina!...
Tão pequena! Tão pequena!
Mas sou maior   que uma pena!

Ai se eu fosse a neblina
também ia refrescar
o Sacrário pequenino
onde o meu Jesus Menino
noite e dia está orando...
Ai se eu fosse a neblina
Que paira sobre a colina!!! ...

Maria Helena Amaro
24/05/1954



sábado, 6 de dezembro de 2014

Libertação


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Morreu. Já no esquife escuro
a morte a prende com ar cansado
tanto lutou para ser derrotado
aquele coração tão jovem e puro!

Longa mortalha de extrema alvura
como a sua alma branca de jasmim
botão de rosa que alcançou o fim
quando ao longe lhe sorria a ventura!

Chorai; murchai flores, que ela morreu!
A neve branca  caia lá do céu
para cobrir seu corpo ainda quente...

Venham as nuvens do azul sem fim
venham perfumes do céu e alecrim
e um anjo p´ra velar na câmara ardente...

Maria Helena Amaro
26/05/1954




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Vou contar-te uma história


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Conheci a vida quando era menininha,
e precisei de um berço e de um abraço
de uma mão segura a guiar o meu passo,
a aprender a dar muito que tinha

Eu tinha uma alma de andorinha
precisava de vôo, luz, espaço
e de um abrigo quente, de um regaço,
quando a noite chegava tão lameirinha...

De vôos arriscados o meu pai me detinha
de sonhos e conversas a mãe era a vizinha
que desviava de mim a dor, o embaraço...

A vida que vivi é a história velhinha
de uma princesa no amor rainha
que escreveu poemas e os atou num laço.

Maria Helena Amaro
Braga, 1/12/2014 

domingo, 30 de novembro de 2014

Meditação


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Eu queria Luz... e tinha noite escura!
Eu queria Amor... e tinha uma ilusão
Eu queria Verdade... e dizia mentiras!
Eu queria fé... e contava dar Vida,
à sombra, à escuridão!

Queria ser alma... não tinha coração!
Queria ser boa... desprezava a virtude!
Queria ser santa... renegava o fervor!...
E era um nada...
Uma folha caída...
(Folha de livro? Sei lá!)
- Amava a vida...
Mais do que a mim, mais do que Deus
mais do que o mundo...
Amava, sem amar...
Queria, sem procurar...

Depois... busquei nas trevas
enriqueci-me de tudo
de tudo que era noite!

Busquei nas trevas
e encontrei nos caminhos da luz
alvoradas de Luz!...
E na Luz encontrei a Verdade
e encontrei Amor...
E debruçado sobre a minha alma
Vos encontrei, Senhor!!!...     


Maria Helena Amaro
10/02/1956

sábado, 29 de novembro de 2014

Páscoa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Encontrei o Senhor no meu caminho
Vinha exangue, triste esfarrapado
trazia no olhar, sonho magoado
um mundo imenso de Amor e carinho...

Passei por Ele sem O ver, sem parar
silenciosa, fria indiferente
sabia a pó a minha boca ardente
sabia ao nada a vida a despertar....

E o Senhor parou na minha estrada
poeirenta cheia de rosas murchas
onde caí na lama espezinhada...

Olhou-me e com voz toda magoada
pondo nas minhas as suas mãos enxutas
numa palavra eu fiquei perdoada!


Maria Helena Amaro
19/03/1955

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nunca mais! ...


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Minhas quimeras, meus sonhos, meus anelos
Ninguém os viu, ninguém os encontrou
foram-se com o tempo fugaz que os levou
má desventura a minha de perdê-los

Busco-os no espaço vazio dos meus olhos
em que sonhei não mais os encontrar
que importa o sonho - miragem salutar -
se elas estão tornados em abrolhos?

Um é chaga, outro dor, outro desgosto
outro as sombras sulcadas no meu rosto
outro o eco dolorido dos meus ais

Pergunto se voltou, um sopro, um gemido
ao meu olhar no espaço perdido
e ele diz-me: Nunca mais! Nunca mais!

Maria Helena Amaro
18/03/1955 

domingo, 23 de novembro de 2014

Já não sou poeta


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A noite escura cobriu os olhos meus
e a inspiração ameaçou fugir
Já não sou poeta! Já não busco a sorrir
no espaço azul a vibração dos céus!

Já não sou poeta! Já não tenho em mim
um doce sonho, feliz, abrasador
não tenho em mim a beleza do amor
e só peço a Deus um prematuro fim...

As minhas mãos no peito se cruzaram
e os meus dedos ficaram-se crispados
numa revolta, cruel, indefinida...

Já não sou poeta! As ilusões passaram
só os meus sonhos, em versos transformados
ressoam tristes, na minha triste vida!

Maria Helena Amaro
27/03/1955

sábado, 22 de novembro de 2014

Saudade...


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Saudade...
Saudade da frescura da manhã
do cheiro a alecrim
a mel e a castanha
a lagar a jeropiga
a trevo e hortelã...
Do comboio da linha da Lousã
a dançar nos carris
em busca de Serpins...
Dos corvos negros a gritar
por cima de olivais...
das cotovias
mochos e pardais
a namorar
as azeitonas caídas no terraço...

Do passeio matinal
até à Vila da Lousã
do pingo quente
no café da esquina
café da D. Lúcia
que nos servia gentilmente
com o seu rosto tão fresco
de menina...

Saudade...
Saudades da sesta caloreira
em que brincávamos
os corpos encharcados de suor
nas águas cristalinas
de godos reluzentes
do velho Rio Ceira.

Saudade...
Saudades das noites estreladas
dos cantos das cigarras
que vinham até mim...
e as luzes distantes do Trevim.

Saudade...
Saudades da festa da Pégada
da chanfana
arroz doce
tigelada...
dos espantalhos erguidos nos trigais...

Saudade...
Saudades de ti
de mim
de tudo que foi a nossa vida.
Em aventuras tais
e que não regressam mais!

Maria Helena Amaro
Braga, novembro, 2014.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Meus versos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Meus versos são soluços comprimidos
que saem pouco a pouco de meu peito
são lembranças do meu sonho desfeito
são o eco dos meus débeis gemidos

Meus versos são poemas da tortura
que minha alma murmura em desatino
são atalhos tortuosos do destino
que me conduzem à negra desventura

Meus versos são rosários de amargura
são os cânticos daquela ventura
que eu sonhei um dia com ardor

Meus versos são os muros arruinados
os meus castelos de ilusão levantados
Meus versos são hinos sem Amor!

Maria Helena Amaro
24/07/1953

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Anoitecer


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Calam-se as noras ao findar do dia
Balem ovelhas entrando no povoado
Nos pinheirais já cantam a cotovia
leves queixumes num chinfrim magoado...

Sinos repicam... doce nostalgia
Cantam os rios descendo o valado
Hora das rezas - Salvé ó Mãe Maria!
Rezam mulheres no regresso do prado...

O sol já desceu vermelho e dourado
velho, tão velho de fazer chorar
É o mar azul a sua campa bela

Há nos olhos moços reino adorado
Há nos campos loiros rendas de luar
Beijam-se as flores à minha janela...

Maria Helena Amaro
Foz de Arouce, 18/11/1955

domingo, 9 de novembro de 2014

3º Aniversário da fundação do blogue Maria Mãe

Caros leitores:
Este vosso espaço literário comemora hoje, dia 9 de novembro de 2014, 3 anos de vida.
São 1095 dias de atividade literária em que foram sendo publicados mais de 850 poemas e 21 contos da autoria de Maria Helena Amaro.
Agradecemos a todos aqueles que permitiram a este espaço virtual ter ultrapassado as 45.000 visitas.
Esperamos que as criações literárias apresentadas neste nosso «lar digital» vos tenham proporcionado bons momentos de fruição.
Atentamente,
António Sequeira (editor).  

Mater dolorosa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Minha mãe! Tu tens dentro de ti
alguma coisa que cura e vivifica
e o teu peito de mãe onde vivi
tem algo belo que também purifica...

Quando eu olho  os teus olhos cinzentos
onde se espalha a mágoa e o pesar
tu tens sempre ternura para dar
aos meus abrolhos escuros e sangrentos...

Quem me dera olhar por toda a vida
o teu olhar de Mater Dolorosa
que sofre, que perdoa, que enternece...

Ó quem me dera minha mãe tão querida
que a morte viesse vagarosa
e reunidas o Céu nos recebesse...

Maria Helena Amaro
Esposende, 17/01/1955